ter. dez 10th, 2019

A Floresta – Khalil Gibran

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Na floresta não existe nem rebanho nem pastor
Quando o inverno caminha
Segue seu distinto curso como faz a primavera
Os homens nasceram escravos daquele que repudia a submissão
Se ele um dia se levanta e lhes indica o caminho
Com ele caminharão
Dá-me a flauta e canta
O canto é o pasto das mentes
E o lamento da flauta perdura mais que rebanho e pastor.

Na floresta não existe ignorante ou sábio.
Quando os ramos se agitam a ninguém reverenciam
O saber humano é ilusório
como a serração dos campos que se vai quando o sol se levanta no horizonte.
Dá-me a flauta e canta
O canto é o melhor saber
E o lamento da flauta sobrevive ao cintilar das estrelas.

Na floresta só existe lembrança dos amorosos.
Os que dominaram o mundo e oprimiram e conquistaram
os seus nomes são como letras dos nomes dos criminosos.
Conquistador entre nós é aquele que sabe amar.
Dá-me a flauta e canta
E esquece a injustiça do opressor.
Pois o lírio é uma taça para o orvalho
E não para o sangue.

Na floresta não há crítico nem censor
Se as gazelas se perturbam quando avistam o companheiro
a águia não diz: que estranho.
Sábio entre nós é aquele que julga estranho apenas o que é estranho.
Ah, dá-me a flauta e canta
O canto é a melhor loucura
e o lamento da flauta sobrevive aos ponderados e aos racionais.

Na floresta não existem homens livres ou escravos.
Todas as glórias são vãs como borbulhas na água.
Quando a amendoeira lança suas flores sobre o espinheiro não diz:
“Ele é desprezível e eu sou um grande Senhor.”
Dá-me a flauta e canta
que o canto é glória autentica
E o lamento da flauta sobrevive
Ao nobre e ao vil.

Na floresta não existe fortaleza ou fragilidade
Quando o leão ruge não dizem:“Ele é temível.”
A vontade humana é apenas
uma sombra que vagueia no espaço do pensamento
e o direito dos homens fenece
como folhas de outono.
Dá-me a flauta e canta
O canto é a força do espírito
E o lamento da flauta sobrevive ao apagamento dos sóis.

Na floresta não há morte nem apuros.
A alegria não morre quando se vai a primavera.
O pavor da morte é uma quimera que se insinua no coração,
pois quem vive uma primavera é como se houvesse vivido séculos.
Dá-me a flauta e canta
O canto é o segredo da vida eterna
E o lamento da flauta permanecerá após findar-se a existência.


Kalil Gibran

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Alexandre BoscoAdmin bar avatarRomário VieiraJunior leite Recent comment authors
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Aline
Visitante
Aline

Que lindo.

Essa poética com tanta verdade e simplicidade acalma a alma.

Gratidão

(Alleyn)
Membro

Que lindo.

Essa poética com tanta verdade e simplicidade acalma a alma.

Gratidão

(Alleyn)
Membro

Que lindo.

Essa poética com tanta verdade e simplicidade acalma a alma.

Gratidão.

Igor santos
Membro

Muito lindo, toca na alma🙏

Jonathan Muniz
Admin
Jonathan Muniz

Emocionante!

Freit EDL
Membro

Sensacional, poesia é alimento pra alma…

Membro

Perfeito!

Douglas Ceron
Editor

Conquistador entre nós é aquele que sabe amar.
Obg Rogério! Demais Mestre

Pedro Sora
Editor

muito bonito, seria legal mais posts de poesias poema

Gustavo Kraemer
Editor

Concordo

Gustavo Kraemer
Editor

Muito bonito!

Jucemar Mello
Membro
Jucemar Mello

Profunda poesia, toca na alma, ou seja segue teu caminho presente, é o que existe, acredita na luz divina sem questionar, navega no escuro até o sol brilhar. Fé!!

Israel Naves
Membro
Israel Naves

Lindo quadro! bom pra ficar meditando olhando em quinta dimensão por alguns minutos…

Sayler Céfas
Membro

Lindo demais ♥

Visitante
Andrey Vasilev

Linda poesia.

Romário Vieira
Membro
Romário Vieira

Bela poesia! Pachamama!
Luz pra nós!

Admin bar avatar
Membro
Taiga

“A alegria não morre quando se vai a primavera” Belo poema!

Alexandre Bosco
Membro

A Interpretação que este post traz é muito lindo! Gratidão mestre.