dom. maio 16th, 2021

Em pronunciamento, Bolsonaro mente sobre ações do governo e diz que 2021 será o ano da vacinação

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Pressionado pelo recorde de mortes e pela escassez de leitos de UTI, de medicamentos para intubação e de vacinas contra Covid-19, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disse em pronunciamento em cadeia nacional de rádio e TV na noite desta terça-feira (23) que 2021 será “o ano da vacinação dos brasileiros”.

“Estamos fazendo e vamos fazer de 2021 o ano da vacinação dos brasileiros. Somos incansáveis na luta contra o coronavírus”, afirmou Bolsonaro, que distorceu ações do governo durante o combate da pandemia e mentiu sobre a sua atuação. O pronunciamento foi veiculado no dia em que, em apenas 24 horas, 3.158 mortes por Covid-19 foram registradas no país.

Apesar o lento ritmo de vacinação, o presidente prometeu ainda imunizar toda a população até o final de 2021. “Ao final do ano, teremos alcançado mais de 500 milhões de doses para vacinar toda a população. Muito em breve, retomaremos nossa vida normal”, afirmou.

Bolsonaro repetiu o discurso de que, desde o começo da pandemia, há um ano, tem dito que os desafios são dois, o vírus e o desemprego. Ele afirmou que “em nenhum momento, o governo deixou de tomar medidas importantes tanto para combater o coronavírus como para combater o caos na economia, que poderia gerar desemprego e fome”.

O governo lançou uma série de medidas econômicas, mas Bolsonaro, durante os últimos 12 meses, minimizou a pandemia, provocou aglomerações, falou contra o uso de máscaras, brecou negociações de imunizantes e, por diversas vezes, manifestou-se contra as vacinas. No pronunciamento, o presidente afirmou ainda que o Brasil é o quinto país que mais vacina no mundo e que mais de 32 milhões de doses foram distribuídas a todos os estados “graças às ações que tomamos logo no início da pandemia”.

Bolsonaro, porém, ignorou ter acelerado as negociações para compra de imunizantes depois que o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), começou a articular a compra da chinesa Coronavac.

“Sempre afirmei que adotaríamos qualquer vacina, desde que aprovada pela Anvisa. E assim foi feito”, afirmou Bolsonaro, omitindo que até mesmo sua principal aposta, a vacina Oxford/AstraZeneca, foi contratada antes da aprovação pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O presidente disse no pronunciamento que “em julho de 2020, assinamos um acordo com a Universidade de Oxford para a produção, na Fiocruz, de 100 milhões de doses da vacina AstraZeneca e liberamos, em agosto, R$ 1,9 bilhão”. A autorização para o uso emergencial só foi concedida pela Anvisa em 17 de janeiro, junto com a da Coronavac.

No pronunciamento, Bolsonaro também cita a adesão ao consórcio Covax Facility, mas não menciona que, por opção do governo, adquiriu-se doses para apenas 10% da população por meio da iniciativa. Documentos mostram que cada país poderia optar por doses para 20% da população ou mais. O presidente também afirma que intercedeu pessoalmente junto a Pfizer para antecipar o calendário de entrega de 100 milhões de doses. Ele, porém, não menciona que, como o jornal Folha de S.Paulo mostrou, o governo brasileiro rejeitou no ano passado proposta da farmacêutica que previa 70 milhões de doses de vacinas até dezembro deste ano. Do total, 3 milhões estavam previstos até fevereiro, o equivalente a cerca de 20% das doses distribuídas no país até o início de março.

O pronunciamento foi gravado na tarde desta terça. É o primeiro sob a orientação do almirante Flávio Rocha como titular da Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social). Apenas em março, Bolsonaro cancelou três pronunciamentos que faria na cadeia de rádio e televisão. Nesses episódios, ele foi convencido a recuar diante da intenção de usar a cadeia nacional para criticar medidas de restrição de deslocamento adotadas por governadores e prefeitos.

Desde o início do ano passado, quando o coronavírus começava a se espalhar pelo mundo, o presidente Bolsonaro tem dado declarações nas quais busca minimizar os impactos da pandemia da Covid-19, que já deixou 298.843 mortos no Brasil. Ele já usou as palavras histeria e fantasia para classificar a reação da população e da imprensa à pandemia. Tem criticado as medidas de isolamento social no país e disse que os problemas precisam ser enfrentados pela população.

“Nós temos que enfrentar os nossos problemas, chega de frescura e de mimimi. Vão ficar chorando até quando? Temos de enfrentar os problemas. Respeitar, obviamente, os mais idosos, aqueles que têm doenças, comorbidades, mas onde vai parar o Brasil se nós pararmos?”, questionou no começo de março. No início deste ano, quando os números apontavam para novo avanço da Covid-19 no país, Bolsonaro afirmou que o Brasil estava vivendo “um finalzinho de pandemia”.

Bolsonaro também distribuiu remédios ineficazes contra a doença, incentivou aglomerações, atuou contra a compra de vacinas, espalhou informações falsas sobre a Covid-19 e fez campanhas de desobediência a medidas de proteção, como o uso de máscaras. No início do mês, o governo lançou o que ficou informalmente conhecido como “Plano Vacina”, uma tentativa de guinada no discurso contrário à vacinação que Bolsonaro, filhos e ministros vinham sustentando. A iniciativa inclui uma campanha nacional de vacinação, que deve ser veiculada ainda neste mês, com intuito de estimular a população a se informar sobre a imunização de sua faixa etária. O material deve explorar a imagem do Zé Gotinha.

Aos 66 anos, Bolsonaro também decidiu se vacinar quando chegar o momento de imunização de sua faixa etária. Ele deve ser vacinado pelo recém-empossado ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, com uma dose da Oxford/AstraZeneca, que, além de produzida no Brasil pela Fiocruz, foi a principal aposta do governo no ano passado. O presidente entendeu que era preciso flexibilizar seu discurso radical diante da queda de popularidade e da fuga de apoio nas redes sociais, sua principal bússola. Soma-se a isso a volta do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva à arena política. Em seu primeiro discurso, o petista atacou a condução de Bolsonaro no enfrentamento da pandemia.

Pesquisa Datafolha apontou que 54% dos brasileiros veem a atuação de Jair Bolsonaro como ruim ou péssima, um recorde de rejeição. Além de adotar uma retórica pró-vacina, Bolsonaro cedeu à pressão para sacar o general Eduardo Pazuello do Ministério da Saúde para dar o cargo a um médico, o cardiologista Marcelo Queiroga, empossado nesta terça.

O Palácio do Planalto espera que a mudança de ministro marque uma nova fase da gestão, embora o próprio Bolsonaro lance uma dose de ceticismo sobre qualquer mudança mais profunda já que mantém as críticas a medidas de distanciamento social e a promoção de um ineficaz tratamento precoce.

Bolsonaro também foi surpreendido com uma fissura no apoio que ainda tem no empresariado. No domingo (21), mais de 500 economistas, banqueiros e empresários do país assinaram e divulgaram uma carta aberta em que pedem medidas mais eficazes para o combate à pandemia do novo coronavírus. A tudo isso soma-se a crescente insatisfação do centrão, que atualmente representa a principal sustentação de Bolsonaro no Congresso. O mal-estar que começou com nomes indicados pelo bloco sendo preteridos na escolha do novo ministro da Saúde se agravou com a falta de ação do governo e o crescente número de mortos pela Covid-19.

 

Qualquer pessoa responsável no Brasil não deve compactuar com a forma e a conduta que o presidente Bolsonaro tratou essa maior crise sanitária da história do Brasil. Infelizmente, o presidente foi irresponsável na condução da pandemia no Brasil“, disse o deputado Sílvio Costa Filho (Republicanos-PE) em entrevista à Rádio Jornal, do Recife.

 

Nesta quarta-feira (24), Bolsonaro receberá no Palácio da Alvorada os presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), da Câmara, Arthur Lira (PP-AL) e do STF (Supremo Tribunal Federal), Luiz Fux. Também participam do encontro o Procurador-Geral da República, Augusto Aras, ministros do governo e alguns governadores que representarão cada uma das cinco regiões do país. A ideia é discutir medidas de combate à pandemia do coronavírus.

No Legislativo e no Judiciário, porém, o gesto é visto com ceticismo. A intenção do presidente é usar o encontro para anunciar medidas de saúde que envolvam todo o poder público, como a criação de um gabinete de emergência. Esta é mais uma tentativa de reverter o derretimento de sua própria imagem. Mas tanto integrantes do Congresso como do STF veem com ceticismo esta nova roupagem, já que Bolsonaro insiste em acenar para sua base radical e a atacar governadores e prefeitos que adotam medidas restritivas para tentar frear a disseminação do vírus.

 

PS: Devemos lembrar o que o Mestre Bob vem nos falando a bastante tempo: Não vamos esquecer a postura dele, de seus ministros e de seus apoiadores. Ele está a todo custo querendo melhorar a sua imagem para garantir as eleições de 2022. NÃO ESQUECEREMOS! 

O pronunciamento foi regado de panelaços em todo o Brasil e amanhã terá manifestações em todo o país contra este governo maldito pela oposição, realizadas de maneiras que não façam aglomerações.

 

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Silvia Cristina Rodrigues
23/03/2021 10:21 pm

Deus sabe, e nós também! Começou pela afirmação da gripezinha bozo. E torcendo o nariz para o novo presidente dos USA, enfim…uma M atrás da outra! Quer fingir demência para correr atrás do prejuízo agora… Já que tua batata tá queimando!! LPN

Maísa Sousa
23/03/2021 10:37 pm

Que vergonha ter um presidente desse.

Mateus Silva
23/03/2021 11:20 pm

Jamais nos esqueceremos do que está acontecendo! Luz p´ra nós!

Last edited 1 mês atrás by Mateus Silva
Matheuzin
24/03/2021 12:00 am

Tá tudo registrado… Falar igual Dr. Eneas: é um patife mesmo ! Kkkkklk

Matheus Rocha
24/03/2021 12:09 am

Esse é picareta

Rômulo Matheus Lins
24/03/2021 8:22 am

Luz p’ra nós!!

Beatriz Belato
24/03/2021 11:14 am

Que vergonha ….

Leonardo Moreira
24/03/2021 11:14 am

Gratidão.
Luz P’ra Nós!

Dudu de Souza
Editor
24/03/2021 12:37 pm

Suas incoerências estão cada vez mais nítidas ao povo, só não vê os incrédulos… Luz p’ra nós!

Romário Vieira
24/03/2021 3:29 pm

Um verdadeiro canalha.

Luiz Cláudio
24/03/2021 7:41 pm

Luz p’ra nós!

Gustavo Borba
24/03/2021 8:52 pm

Luz p’ra nós!

Shirley Oliveira
25/03/2021 5:47 pm

Como disse no fim do texto irmã:
Ele está a todo custo querendo melhorar a sua imagem para garantir as eleições de 2022. NÃO ESQUECEREMOS! 

Williams Rodriguez
25/03/2021 10:18 pm

Ridículo esse presidente.

Lucas Schwarzbold
Editor
26/03/2021 6:58 pm

Canalha!
A mentira não perdura.
Luz pra nós 🙏🏾

José Ricardo Dos Santos
23/03/2021 11:39 pm

Luz p’ra nós.

José Ricardo Dos Santos
23/03/2021 11:42 pm

Suas atitudes ficaram marcadas através de traumas, seus seguidores estão em destaque, em referência do pior, seu nome está para baixo, a perspectiva foi mantida.. em limitação e dolorida, mas Deus sabe oque faz, luz p’ra nós.

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