seg. maio 17th, 2021

Família evangélica recebe autorização para cultivo de maconha medicinal

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Salvo-conduto reconhece plantio como não criminal e permite que a família produza o óleo a partir da planta, artesanalmente. Produto é usado no tratamento das gêmeas de 8 anos, que são autistas e diagnosticadas com epilepsia.

 

Uma família evangélica é a primeira a receber, por meio da Defensoria Pública de Mogi das Cruzes (SP), um salvo-conduto para o cultivo de maconha com finalidade medicinal. O documento, que reconhece o plantio como não criminal, também permite que Andreia Rodrigues e o marido Djovaldo Rodrigues produzam o óleo de cannabis em casa para o tratamento das filhas.

As gêmeas Isabella e Isadora, de 8 anos, têm diagnósticos de autismo, paralisia cerebral e epilepsia. Antes do uso do fitoterápico, uma das meninas chegava a ter 50 convulsões por dia. Hoje, com quase dois anos de tratamento, elas não sofrem mais com as crises e tiveram avanço no desenvolvimento motor e cognitivo.

Em uma entrevista ao G1 em junho de 2020, Andreia falou sobre como superou o preconceito e se tornou ativista da causa. Na época, as filhas já usavam o óleo de cannabis mediante prescrição médica e apresentavam resultados significativos, segundo a mãe.

“Eu fico muito feliz em saber que agora poderemos cultivar a santa erva. Eu digo santa, porque na época nós tínhamos muito preconceito, porque somos evangélicos, mas a gente viu o que a planta fez. Da água para o vinho, a nossa vida mudou”, relata. “[Antes] eu tinha muito preconceito. Eu tinha medo de quem usava maconha”.

Na decisão, o Juiz Tiago Ducatti Lino Machado, da 3ª Vara Criminal de Mogi das Cruzes, determina “às autoridades de Segurança Pública Estaduais, Municipal e Federal e seus subordinados que se abstenham de prender, conduzir ou indiciar a paciente pela conduta de semear, cultivar e fazer a colheita de sementes, plantas ou óleos extraídos de cannabis, e de apreender tais sementes, plantas e óleos”.

Além de facilitar o tratamento, a medida também traz um alívio para o bolso da família. Eles chegaram a obter a autorização junto à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para importação do produto. No entanto, em razão do alto custo, tornou-se impossível a manutenção do tratamento — cada frasco custa cerca de R$ 1 mil, sendo que mensalmente as crianças necessitam de três.

Agora, Andreia espera que seu caso sirva como exemplo e incentive o judiciário a conceder autorização para outras famílias que, como a dela, tiveram a qualidade de vida transformada pelo produto.

“A cannabis salva vidas, como salvou a vida das minhas filhas. Durante a pandemia, a gente receber uma notícia dessa, foi uma benção na nossa vida. Como eu disse para a defensora, que eu seja a primeira de muitas que virão”,

comenta a mãe.

 

Não criminal

O processo levou pouco mais de um ano. Inicialmente, Andreia e Djovaldo receberam um habeas corpus, que impediria a prisão do casal, caso fossem flagrados cultivando a planta. Já o salvo-conduto, que saiu no início de abril, reconhece o ato como não criminal e autoriza a família a cultivar uma determinada quantia de plantas de maconha, produzir e portar o óleo.

A questão da cannabis para fins medicinais não é regulamentada no Brasil e seu cultivo é proibido em todo o território nacional, como prevê a Lei Antidrogas (11.343/2006). Por isso, para plantar e produzir o extrato, é preciso ter uma autorização judicial que regulamenta quem poderá fazer isso, quantos plantas poderão ser mantidas e por quanto tempo.

“Eu pedi uma quantidade generosa, porque podem surgir pragas, pode surgir um monte de coisa. Se a gente conseguir uma colheita boa, dá a quantidade de óleo. A autorização seria por tempo indeterminado por que, no caso das minhas filhas, não tem cura. É só tratamento. Eu expliquei que elas não podem ficar sem o óleo, porque já aconteceu de a gente ficar sem e elas terem crise”,

relata a mãe.

Com a tão esperada autorização, a família precisa se preocupar com os próximos passos. Primeiro, devem definir onde a erva será plantada. Segundo, precisarão de sementes e de uma estrutura que permita o crescimento saudável e livre de pragas. Porém, apesar dos desafios, ela reconhece que o mais difícil já passou.

“Aqui no condomínio é fechado. É difícil, não tem espaço. A gente está vendo um pedacinho de terra em um sítio para fazer o cultivo. Eu também precisaria agora de doação de plantas. Eu vou ter que importar sementes, porque é difícil conseguir que alguém conceda tantas mudas. A média da semente, que chama ‘automática’, é de R$ 20 a R$ 30. Eu ainda não importei”.

“Eu poderia estar com várias plantinhas, mas eu fui cautelosa e esperei a decisão sair. Já tenho um pé e, através da planta, dá para fazer um clone, tirar uma muda. Isso leva tempo, porque ela precisa estar grande e forte. Agora estou na correria para conseguir, mas estamos muito felizes. É uma benção que eu nem acredito”.

 

Tratamento com cannabis

A família relata que as crises epiléticas das gêmeas cessaram logo após o primeiro uso do óleo. Desde então, se tornaram raras. Sem convulsões frequentes, o desenvolvimento das crianças também melhorou, como relata a mãe.

“A Isabela já está, praticamente, andando. Fica paradinha, está apontando, se comunicando. Ela entende tudo. A Isadora também fala de tudo. Elas estão superbem. Comem bem. A gente fala que o canabidiol é o oleozinho da alegria”, brica.

“Até pouco tempo, até fisioterapia elas estavam fazendo. A gente não tem como parar de vez, mas elas estão muito bem. Às vezes a Isabela solta alguma palavra. Elas mostram uma evolução grandíssima. Ela não tomava água e, agora, até aponta para água e pede. Coisas que ela não faria se não usasse ele”.

A neurologista Fernanda Moro, que atende Isabella e Isadora, acompanha esse processo. Ela lembra que a sugestão do uso do óleo partiu de Andreia, mas que acatou a ideia por acreditar nos benefícios do produto. Ela afirma, inclusive, que a família é um exemplo do avanço da ciência.

“A prescrição da cannabis medicinal é relativamente recente. Nós temos artigos dos anos 1970, 1980. As pesquisas com cannabis são complicadas no mundo inteiro. Atualmente tem sido mais fácil, porque temos conseguido comprovar o tanto que ela ajuda e controla. Foi o que aconteceu com as meninas”,

relata.

“A gente teve um controle de crise absurdo. Imagina você ter uma criança que convulsionava até 50 vezes por dia e hoje em dia é raro ela ter um escape em crise. Ultimamente ela não tem mais nenhuma. Além disso, você vê a melhora na parte motora. A criança que ficava contida na cadeirinha, não interagia muito e tinha dificuldade até para ser nutrida, agora responde bem às terapias, fisioterapias, ficou mais atenta e quer brincar mais”.

Atualmente, Fernanda também tem outros pacientes que fazem uso do canabidiol. Ela detalha que o produto, que pode ser receitado por qualquer médico, tem mostrado resultados positivos no tratamento de doenças degenerativas.

“Como é uma coisa recente, muita gente ainda não prescreve. Na teoria, qualquer médico pode prescrever. Não precisa ser só neuro ou psiquiatra. A gente acaba acompanhando doenças degenerativas, que estão ali no âmago das pesquisas da cannabis, e acabam sendo mais forte no nosso dia a dia”,

detalha Fernanda.

“Cada vez mais os médicos estão atentos à medicina canabinoide e passam a prescrever mais. Além da epilepsia, a gente tem bastante melhora em pacientes com Parkinson, Alzheimer, esclerose múltipla. Tanto que a primeira medicação à base de cannabis surgiu para esclerose múltipla. Você começa a desmistificar um pouco e percebe que nem tudo que parece droga é droga”.

 

Fonte: Smoke Buddies

 

 

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khetelin oliveira
18/04/2021 9:28 am

Luz p’ra nós!

Matheuzin
17/04/2021 11:55 pm

Luz p’ra nós 🍎

Leonardo Moreira
18/04/2021 11:12 am

Gratidão.
Luz P’ra Nós!

Lucas Schwarzbold
Editor
18/04/2021 2:35 pm

Gratidão pelo post.
Luz pra nós!

Silvia Cristina Rodrigues
18/04/2021 6:19 pm

Que Maravilha!! 🙏
Luz p’ra nós

Shirley Oliveira
18/04/2021 7:58 pm

A santa acabando com preconceito.
Luz p’ra nós

Daniela Cristina
Editor
20/04/2021 7:01 pm

Poxa que história linda! *0* Realmente, que ela seja inspiração para o Sistema legalizar hahahaha

Maísa Sousa
20/04/2021 8:47 pm

Luz pr’a nós

Rômulo Matheus Lins
18/04/2021 5:57 pm

Luz p’ra nós!

Gustavo Borba
18/04/2021 8:56 pm

Luz p’ra nós!

Pedro Silveira Goulart Cassiano
21/04/2021 6:33 pm

Cara que legal ,salve a Santa erva,luz pra nós 💚🙏

Eduardo Donald
22/04/2021 8:38 am

Lpn!

Sávio
28/04/2021 3:54 pm

amém rs luz p´ra nós !

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