sáb. abr 17th, 2021

Margaret Thatcher, primeira-ministra que deu início à política neoliberal

Compartilhe a Verdade!

Compartilhe a Verdade:


 

Thatcher modificou a economia inglesa, adotou a não-intervenção do Estado.

 

Margaret Thatcher ficou conhecida por sua política de pouca intervenção do Estado na economia. A polêmica dama de ferro ficou no cargo de primeira-ministra britânia entre 1979 e 1990, durante o período adotou medidas para cortar os gastos públicos e apoiou a auto-regulamentação do mercado. A morte da ex-primeira-ministra, no dia 8 de abril de 2013, causou comoção na Inglaterra e dividiu admiradores e opositores.

O governo de Thatcher foi responsável por privatizar grande parte do setor público. Durante o período, o desemprego cresceu e os sindicatos ficaram enfraquecidos. A ministra renunciou em 1990, sendo substituída por John Major, outro político conservador.

 

A primeira-ministra e a Guerra das Malvinas

Thatcher estava no poder durante a Guerra das Malvinas, de 1982, quando a Argentina lutou pela soberania do território, sob domínio britânico desde 1883. A Argentina vivia um período de crise econômica na Ditadura Militar e Leopoldo Galtieri buscou dar força ao sentimento nacionalista com a luta pelo arquipélago em 1982. O conflito durou apenas três meses, com vitória inglesa e o país latino ainda mais em crise pelo excessivo gasto na guerra. Atualmente, Cristina Kirchner reivindica a soberania argentina no território. Além do orgulho nacional, o arquipélago é disputado por motivos financeiros: é rico em petróleo.

 

Você sabe o que é Liberalismo?

Essa doutrina política está relacionada historicamente à ascensão da burguesia no século XVIII. Sua ideia mais básica é que a liberdade de um modo geral (livre mercado e democracia) é vantajosa para a sociedade como um todo. Além de defender um modelo de economia de livre mercado, os liberais também acreditam que a liberdade do indivíduo em agir da forma que lhe convier, desde que sem agredir a liberdade do próximo.

Mas a história não termina por aí. Existe outro termo, muito utilizado nos jornais e nos meios acadêmicos hoje em dia, que se refere a uma vertente específica do liberalismo: é o  neoliberalismo. Os termos neoliberalismo e liberalismo são tão parecidos que muita gente não vê diferença entre eles. Vamos entender o que o neoliberalismo teria de diferente em relação ao liberalismo clássico?

 

Neoliberalismo: história

O termo neoliberalismo já era registrado em alguns escritos dos séculos XVIII e XIX, mas começou a aparecer com mais força na literatura acadêmica no final dos anos 1980, como uma forma de classificar o que seria um ressurgimento do liberalismo como ideologia predominante na política e economia internacionais. A ideia é que durante um certo período de tempo, o liberalismo perdeu predominância para o keynesianismo, inspirado pelo trabalho de John Maynard Keynes, que defendeu a tese de que os gastos públicos devem impulsionar a economia, especialmente em tempos de recessão. Keynes era favorável ao Estado de bem-estar social.

A partir dos anos 1970, o mundo passou a vivenciar um declínio do modelo do Estado de bem-estar social, o que deu espaço para que ideias liberais aos poucos voltassem a ter preferência na política. Uma das primeiras experiências consideradas neoliberais no mundo foi levada a cabo pelo Chile. Em 1975, o ditador chileno Augusto Pinochet entrou em contato com acadêmicos da Escola de Chicago, que recomendaram medidas pró-liberalização do mercado e diminuição do Estado. Entre tais medidas estavam a drástica redução do gasto público, demissão em massa de servidores públicos e privatização de empresas estatais. As eleições de Margareth Thatcher no Reino Unido e de Ronald Reagan nos Estados Unidos no início dos anos 1980 também foram indicativos desse fenômeno. Ambos são considerados até hoje líderes neoliberais.

 

Consenso de Washington e neoliberalismo

Mas o conjunto mais claro de ideias chamadas de neoliberais veio no ano de 1989, quando o economista John Williamson publicou um artigo apresentando um conjunto de regras econômicas acordadas por economistas de grandes instituições financeiras. Essas regras, que ficariam conhecidas como Consenso de Washington, seriam o mínimo denominador comum, os pontos com que todas as principais instituições financeiras do mundo concordavam. Nos anos seguintes, esse ideário neoliberal orientaria a elaboração das políticas econômicas recomendadas por grandes agências internacionais (vocês sabem quem), e de fato foram implementadas em vários países em desenvolvimento a partir do início dos anos 1990 – inclusive no Brasil. O conjunto de regras neoliberais seria:

  • Disciplina fiscal
  • Redução dos gastos públicos
  • Reforma tributária
  • Juros de mercado
  • Câmbio de mercado
  • Abertura comercial
  • Investimento estrangeiro direto
  • Privatização de empresas estatais
  • Desregulamentação (flexibilização de leis econômicas e trabalhistas)
  • Direito à propriedade intelectual

Enquanto a definição de “liberal” é ampla e abriga formas de pensamento bem diferentes entre si, a definição de neoliberal é mais específica. Trata-se de uma doutrina prática, voltada a ações econômicas concretas, já que poucos acadêmicos de fato se definem como neoliberais ou desenvolvem uma filosofia política ou econômica neoliberal. Também não existem muitas tentativas de definição rigorosa do termo. Dessa forma, o artigo de Williamson e as políticas do FMI e do Banco Mundial são o que temos de mais concreto sobre o que compõe o ideário neoliberal.

 

As condicionalidades do FMI

O Fundo Monetário Internacional (FMI) talvez seja a organização mais atrelada ao chamado Consenso de Washington. Esse fundo foi criado após a Segunda Guerra Mundial, junto com o Banco Mundial, conta com recursos principalmente de países desenvolvidos e é responsável por supervisionar o sistema monetário internacional. O FMI atende a países com problemas de instabilidade financeira – geralmente, países em desenvolvimento. Os recursos aportados para esses países vêm quase sempre em caráter emergencial, para evitar que o governo socorrido quebre definitivamente. Em troca desse socorro financeiro, o FMI exige de seus devedores o cumprimento de condicionalidades, que nada mais são do que medidas alinhadas com o chamado receituário neoliberal (ou seja, as medidas que listamos acima).

Os resultados da implementação de tais medidas ao longo das últimas décadas foram mistos: por um lado, muitos países alcançaram maior estabilidade econômica ao adotar as recomendações do FMI; o comércio internacional expandiu muito, tirando milhões de pessoas da pobreza extrema; e o investimento direto estrangeiro se tornou uma maneira de transferir tecnologia e conhecimento para países em desenvolvimento. Desde o governo Collor, o governo brasileiro tem colocado em ação planos como maior abertura comercial, privatização de empresas estatais, juros, câmbio flexível e maior disciplina fiscal. Medidas semelhantes foram adotadas nos governos seguintes. Fernando Henrique Cardoso, por exemplo, privatizou diversas empresas públicas (exemplos: Vale do Rio Doce e Telebrás), criou a Lei de Responsabilidade Fiscal (cujo objetivo é trazer rigor à disciplina fiscal no setor público) e adotou o tripé macroeconômico, que coloca ênfase no superávit primário (ou seja, contenção de gastos para gerar economia para o pagamento de juros da dívida pública), além de tornar o câmbio flutuante, definido pelo mercado. A política do tripé macroeconômico continuou a ser seguida durante o governo Lula, entre 2003 e 2010. Também no governo Lula foram feitas diversas concessões (negociação semelhante à privatização) de infraestrutura à iniciativa privada, como rodovias federais.

 

Os problemas do neoliberalismo, segundo economistas do FMI

Um artigo de maio de 2016, assinado por dois economistas do FMI, chamou a atenção justamente por questionar a eficiência do receituário neoliberal. Eles afirmam que em alguns casos, em vez de entregar crescimento econômico, medidas neoliberais aumentaram a desigualdade e prejudicaram um crescimento duradouro.

Segundo os autores, dois aspectos do neoliberalismo podem acabar desequilibrando a trajetória de crescimento econômico de países que adotam tais medidas:

  • livre movimento de capitais;
  • a austeridade fiscal (redução da dívida pública e do tamanho do Estado).

No longo prazo, essas medidas podem causar instabilidades e também aumentar a desigualdade de renda, o que acaba minando o crescimento econômico – que é o grande objetivo de medidas neoliberais. Essa visão, apesar de ter sido compartilhada por economistas do FMI, não reflete o posicionamento da instituição como um todo, mas mostra que mesmo nessa organização há divergências sobre sua eficiência.

A controvérsia sobre a eficácia do neoliberalismo em melhorar a situação de países em desenvolvimento continua em aberto, visto que muitos economistas discordam desse conjunto de medidas econômicas. De qualquer forma, é importante entender que o neoliberalismo é uma doutrina econômica que continua a influenciar muitas decisões de políticas públicas no Brasil e no mundo.

 

Basicamente… isto é a configuração do neoliberalismo que muitos defendem.

 

O que Enéas disse sobre isso?

 

“Privatizações são negociatas que servem para transferir o formidável patrimônio público para uma minoria privilegiada de representantes legítimos do sistema  financeiro internacional” 

 

A Política de Margaret

A era de Margaret Thatcher não trouxe recuperação econômica real. O crescimento médio da economia em seu governo foi de 2,4% ao ano, idêntico ao dos problemáticos anos 1970 e bem inferior ao dos anos 1960.

A renda dos 20% mais pobres estagnou em seu governo e a dos 20% mais ricos cresceu 48%. O índice Gini de concentração de renda cresceu de 25, em 1979, início de seu governo, para 34, em 1990, no final e hoje está em 35.

Se as elites festejaram foi porque Margaret Thatcher quebrou a espinha do movimento sindical, reduziu de 65% para 53% a participação dos trabalhadores na renda nacional e, por meio das privatizações, permitiu aos empresários – ou melhor, aos banqueiros, pois a indústria nacional foi dizimada e o país colocado a serviço da City, o centro financeiro londrino, do qual depende cada vez mais – explorar uma fatia muito maior da economia nacional, adquirida a preço de ocasião.

Sua influência extrapolou de muito a costa da Grã-Bretanha, graças à parceria com Ronald Reagan, na qual ele era o músculo e ela, o cérebro. Seu lema “não há alternativa” (there is no alternative – TINA, como abreviaram admiradores e adversários) quebrou o pacto social do pós-guerra, desautorizou meio século de pensamento keynesiano, precedeu em uma década O Fim da História, de Francis Fukuyama, e moldou o pensamento neoliberal de toda uma geração, juntamente com seu “a sociedade não existe, o que existe são os indivíduos”, com o qual legitimou a ganância e o egoísmo das elites e a miséria dos excluídos.

 

Margaret Thatcher
CartaCapital
Politize – Neoliberalismo

 

Recomendo que vejam também:

 

 

 

Portais
 Fortaleça no merch!

escoladelucifer.com.br
unebrasil.org
unebrasil.com.br
unebrasil/livrolucifer
querovencer.unebrasil.com.br
congressodigital.unebrasil.com.br

Luz p’ra nós!

 

 

Compartilhe a Verdade:


5 1 vote
Article Rating

Compartilhe a Verdade!

Entre com:





Subscribe
Notify of
12 Comentários
Most Voted
Newest Oldest
Inline Feedbacks
View all comments
Silvia Cristina Rodrigues
25/02/2021 9:51 pm

Luz p’ra nós!!

Rômulo Matheus Lins
25/02/2021 10:20 pm

Luz p’ra nós!!

Admin bar avatar
25/02/2021 11:19 pm

Luz pra nós

Shirley Oliveira
26/02/2021 2:05 am

Muito boa matéria irmã.
Luz p´ra nós.

Dudu de Souza
Editor
26/02/2021 8:32 am

Valeu pelas informações irmã, luz p’ra nós!

Diego Costa
26/02/2021 1:37 pm

Já acreditei nessa política neoliberal, graças a Deus tive contato com a verdade e pude entender quem nos controla e quem se beneficia por tais políticas

Bruna Sollara
27/02/2021 12:07 pm

Gratidão pela informação
Luz p’ra nós!

Eduardo Donald
28/02/2021 11:10 am

post muito bom!
#auditoriadadívidapúblicajá!

Bruno Davi Moquiute
28/02/2021 11:35 pm

Luz para nós!!!

Matheus Rocha
01/03/2021 3:33 pm

Luz pra nós!

Macauley Shivaya ''Mago''
06/03/2021 11:47 pm

Luz para nós!!!

José Ricardo Dos Santos
13/03/2021 11:56 pm

Muito complementador, luz p’ra nós.

error

Seja caminho para a Verdade

12
0
Would love your thoughts, please comment.x
()
x
Pular para a barra de ferramentas