qui. abr 22nd, 2021

Páscoa – Judaísmo e Cristianismo

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Durante o Velho Testamento vemos que o Povo Escolhido de Deus já comemorava a Páscoa, mas logo surge a dúvida: se hoje o nosso Domingo de Páscoa é para comemorarmos e louvarmos a ressurreição de Jesus Cristo como cristãos, então o que os judeus comemoravam antes mesmo deste episódio?

Ainda hoje, os judeus se referem à festa pelo seu nome original: Pessach. De origem hebraica, quer dizer “passagem” e deu origem, entre outras, às palavras “páscoa” em português, “pascua” em espanhol, “pasqua” em italiano, e “pâques” em francês.

“É a festa que comemora a passagem do povo israelita da escravidão do Egito para a libertação da Terra Prometida, através da travessia do Mar Vermelho”, sintetiza o rabino Michel Schlesinger, da Confederação Israelita do Brasil (Conib).

A Páscoa cristã também está associada à ideia de “passagem”: no caso, da morte para a vida. A solenidade que celebra a ressurreição de Jesus é a mais importante do cristianismo. Mais até do que o Natal, que festeja a encarnação divina através do nascimento de Cristo.

“A vitória de Jesus sobre a morte é o que confere sentido ao cristianismo. ‘Se Cristo não tivesse ressuscitado, vã seria a nossa fé!'”, afirma o teólogo Isidoro Mazzarolo, da Pontifícia Universidade Católica (PUC-Rio), citando a Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios 15, 17.

Enquanto a Páscoa está centrada na figura de Jesus, a Pessach evoca a memória de Moisés. Foi ele que, segundo o Livro do Êxodo, recebeu de Deus a missão de libertar os israelitas da opressão do faraó e, pelos próximos 40 anos, guiá-los até a Terra Prometida.

“Os cristãos acreditam que Jesus é o Messias. Ele já veio e, um dia, voltará. Nós, judeus, reconhecemos que Jesus foi um rabino que disseminou uma mensagem muito positiva de amor e respeito ao próximo, mas não o consideramos o Messias. Para nós, o Messias ainda não chegou”, esclarece o rabino Michel Schlesinger.

Tanto no Pessach quanto na Páscoa cristã há uma reverência à ideia de passagem

 

O Senhor disse a Moisés e a Arão, no Egito:
“Este deverá ser o primeiro mês do ano para vocês. Digam a toda a comunidade de Israel que no décimo dia deste mês todo homem deverá separar um cordeiro ou um cabrito, para a sua família, um para cada casa.
Se uma família for pequena demais para um animal inteiro, deve dividi-lo com seu vizinho mais próximo, conforme o número de pessoas e conforme o que cada um puder comer. O animal escolhido será macho de um ano, sem defeito, e pode ser cordeiro ou cabrito.
Guardem-no até o décimo quarto dia do mês, quando toda a comunidade de Israel irá sacrificá-lo, ao pôr-do-sol.
Passem, então, um pouco do sangue nas laterais e nas vigas superiores das portas das casas nas quais vocês comerão o animal. Naquela mesma noite comerão a carne assada no fogo, juntamente com ervas amargas e pão sem fermento.
Não comam a carne crua, nem cozida em água, mas assada no fogo: cabeça, pernas e vísceras.
Não deixem sobrar nada até pela manhã; caso isso aconteça, queimem o que restar.
Ao comerem, estejam prontos para sair: cinto no lugar, sandálias nos pés e cajado na mão. Comam apressadamente. Esta é a Páscoa do Senhor.

Êxodo 12:1-11

 

Até o século 4, a mesma data

Até meados do século 4, judeus e cristãos comemoravam a Páscoa no mesmo dia. Mas, se o significado da festa é diferente, por que, então, comemorá-la no mesmo dia? A reivindicação partiu de gentios – os novos convertidos ao cristianismo na Europa e Oriente Médio.

Foi quando, no ano de 325, o Imperador Constantino Magno convocou o Concílio de Niceia. Por unanimidade, a Igreja Católica convencionou festejar a ressurreição de Jesus sempre no primeiro domingo depois da primeira lua cheia ocorrida após (ou no dia) do equinócio da primavera no hemisfério norte (e do outono no hemisfério sul). Ou seja, em geral, depois da Páscoa judaica, que começa a ser celebrada na primeira lua cheia do mesmo equinócio (e pode cair num dia de semana).

O equinócio, a propósito, é o nome dado à época do ano em que o dia e a noite têm a mesma duração em todos os países do mundo.

Tudo ia bem até 1582, quando o papa Gregório 13 resolveu instituir o calendário que leva seu nome, o gregoriano. Na ocasião, a Igreja Ortodoxa não aprovou a mudança e continuou a se basear pelo calendário juliano, instituído por Júlio César no ano 46 a.C., para comemorar a Páscoa.

Conclusão: a Igreja Romana comemora em uma data e a Ortodoxa em outra. Um exemplo? Este ano, católicos romanos celebrarão a ressurreição de Jesus no dia 1º de abril, e os ortodoxos, no dia 8.

Pão ázimo e ervas amargas

A Páscoa é uma solenidade tão importante que um dia só é pouco. Por essa razão, judeus e cristãos levam oito dias para festejar, respectivamente, a passagem do cativeiro à liberdade e da morte à vida.

Os cristão marcam a Semana Santa com missas especiais como o lava-pés na quinta-feira e a procissão do enterro na sexta, dia em que muitos fiéis evitam comer carne vermelha em respeito à morte de Cristo. No domingo, muitas famílias com crianças celebram a tradição da busca por ovos escondidos, adotada de rituais pagãos. Os ovos de Páscoa se tornaram, com o passar do tempo, um dos símbolos mais conhecidos da data.

  • Domingo de Ramos, relembra a entrada de Jesus em Jerusalém.
  • Quinta-feira Santa, realiza-se a missa de lava-pés.
  • Sexta-feira Santa, realiza-se a procissão do enterro.
  • Sábado de Aleluia, realiza-se a Vigília Pascal.
  • Domingo de Páscoa, celebra-se a ressurreição de Jesus Cristo.

Já os judeus não podem comer nada feito à base de farinha. Macarrão, pizza e lasanha? Nem pensar! Uma iguaria que não pode faltar à mesa é o pão ázimo, feito só de trigo e água, sem fermento. Conhecida como matzá, simboliza a pressa do povo hebreu ao fugir da escravidão no Egito.

“Durante a Pessach, comemos ervas amargas para lembrar a amargura da escravidão, mas também bebemos vinho para recordar a doçura da liberdade. Não somos nem escravos nem livres. Ainda estamos no caminho”, diz o rabino Michel Schlesinger.

A primeira parte da comemoração judaica é marcada pelo Seder, que nas duas primeiras noites da festa reúne as famílias para fazerem uma refeição e contarem a história do Pessach.

Os símbolos da Páscoa Judaica, que compõem a mesa durante o Seder, são:

  • Três matzot (pães asmos), representando os três grupos judeus: sacerdotes, levitas e o povo de Israel.
  • Zeroá: osso de cordeiro ou ovelha, simbolizando o cordeiro oferecido em sacrifício.
  • Betsá: ovo cozido simbolizando a perseguição aos judeus e como isso os fortaleceu.
  • Marór: erva amarga para lembrar o sofrimento vivido durante o período no Egito.
  • Charósset: doce, cuja a cor lembra-os dos tijolos que confeccionavam para as construções do Faraó.

 

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Williams Rodriguez
05/04/2021 12:17 am

Luz pra nós!

Silvia Cristina Rodrigues
05/04/2021 2:00 pm

Luz p’ra nós! 🌅

Ana Paula
05/04/2021 5:10 pm

luz p’ra nós!!

Camila Ribeiro
06/04/2021 1:23 pm

Luz pra nós!

Gustavo Borba
06/04/2021 9:32 pm

Luz p’ra nós!

Dudu de Souza
Editor
07/04/2021 10:33 am

Luz p’ra nós!!!

Daniela Cristina
Editor
07/04/2021 12:47 pm

Luz p’ra nós!

Gutemberg Lima dos Santos
07/04/2021 1:05 pm

Luz pra nos

Matheuzin
08/04/2021 9:18 pm

Gratidao ! Luz p’ra nós!

Shirley Oliveira
10/04/2021 8:03 am

Os dois lados da vida celebrando a Páscoa.
Luz p’ra nós 🙏🏻✨

Bruno Davi Moquiute
11/04/2021 12:40 am

Luz para nós!

Bruno Davi Moquiute
12/04/2021 12:13 am

Grato pela informação luz para nós!

Lucas Schwarzbold
Editor
12/04/2021 7:29 pm

Luz pra nós!

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