dom. maio 16th, 2021

Tierry Meyssan: Os EUA à beira de uma guerra civil

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Did media make Ferguson riots worse? - CNN Video

 

De Volteire.net

 

Por Tierry Meyssan: Intelectual francês, presidente-fundador da Rede Voltaire e da conferência Axis for Peace. As suas análises sobre política externa publicam-se na imprensa árabe, latino-americana e russa. Última obra em francês: Sous nos yeux. Du 11-Septembre à Donald Trump. Outra obras : L’Effroyable imposture: Tome 2, Manipulations et désinformations (ed. JP Bertrand, 2007). Última obra publicada em Castelhano (espanhol): La gran impostura II. Manipulación y desinformación en los medios de comunicación (Monte Ávila Editores, 2008).

 

 

 

 

No presente artigo, o autor procura chamar a nossa atenção sobre um facto difícil de conceber para os Ocidentais : o povo norte-americano vive uma crise de identidade.

 

Ele está tão profundamente dividido que a eleição presidencial não visa apenas eleger um chefe, mas também determinar o que deve ser o país (império ou nação ?). Nenhum dos dois campos está disposto a aceitar perder, tanto e de tal forma que qualquer um deles poderá recorrer à força para impor o seu ponto de vista.

 

 

Quando se aproxima a eleição presidencial nos Estados Unidos, o país divide-se em dois campos que mutuamente se atribuem a desconfiança de preparar um golpe de Estado. De um lado o Partido Democrata e os Republicanos extra-partido, do outro os Jacksonianos, que se tornaram a maioria no seio do Partido Republicano sem partilhar a sua ideologia.

 

Lembram-se, certamente, já em Novembro de 2016, que uma empresa de manipulação dos média (mídia-br) dirigida pelo mestre de Agit-Prop, David Brock, recolhia mais de 100 milhões de dólares para destruir a imagem do Presidente-eleito antes mesmo dele ter sido investido [1]. Desde essa data, quer dizer antes de ele poder fazer fosse o que fosse, a imprensa internacional descreve o Presidente dos Estados Unidos como um incapaz e um inimigo do povo. Certos jornais foram ao ponto de apelar ao seu assassinato. Durante os quase quatro anos seguintes, a sua própria Administração não parou de o denunciar como um traidor pago pela Rússia e a imprensa internacional criticou-o ferozmente.

 

Actualmente, um outro grupo, o Transition Integrity Project (TIP), planeia (planeja-br) cenários para o derrubar durante a eleição de 2020, quer ganhe ou perca. Este caso tornou-se assunto nacional desde que a fundadora do TIP, a professora Rosa Brooks, se espalhou num longo artigo no Washington Post, da qual ela é uma colaboradora regular [2].

 

Em Junho último o TIP organizou quatro jogos de simulação. Simulou vários resultados para antecipar as reacções dos dois candidatos. Todo o conjunto dos participantes era de Democratas e “Republicanos” (ideologicamente falando e não «republicanos» no sentido de filiação partidária), nenhum era Jacksoniano. Sem surpresa, todas essas personagens consideraram que « a Administração Trump sabotou regularmente as normas fundamentais da Democracia e do Estado de Direito. Que adoptou inúmeras práticas corruptas e autoritárias». Concluíram pois que o presidente Trump tentaria um Golpe de Estado e imaginaram que era seu dever conceber preventivamente um Golpe de Estado «democrático» [3].

 

É uma característica do pensamento político contemporâneo proclamar-se a favor da democracia, mas rejeitar as decisões que vão contra os interesses da classe dirigente. A propósito, os membros do TIP admitem francamente que o sistema eleitoral dos EUA, que eles defendem, é profundamente «antidemocrático». Lembremos que a Constituição não atribui a eleição presidencial aos cidadãos, mas a um colégio eleitoral composto por 538 pessoas designadas pelos governadores. A participação dos cidadãos, que não foi prevista aquando da independência, impôs-se progressivamente na prática, mas unicamente a título indicativo para os governadores. Assim, em 2000, durante a eleição de George W. Bush, o Supremo Tribunal da Florida relembrara que não tinha que levar em consideração a vontade dos cidadãos do Estado, mas unicamente a dos 27 eleitores designados pelo seu governador da Florida.

 

Contrariamente a uma ideia feita, a Constituição dos Estados Unidos não reconhece a soberania popular, apenas uma soberania aos governadores. Por outro lado, o Colégio Eleitoral concebido por Thomas Jefferson já não funciona correctamente desde 1992: o candidato eleito já não reúne a maioria dos votos dos cidadãos nos Estados que fazem balançar a eleição (os “Swing States»-ndT) [4].

 

O TIP pôs à vista quase tudo o que poderá acontecer durante os três meses que separam o escrutínio da investidura. Ele admite que será muito difícil apurar os resultados, dado o recurso ao voto por correspondência em período de epidemia. Intencionalmente o TIP não explorou a hipótese de que o Partido Democrata anuncie a eleição de Joe Biden apesar de uma contagem insuficiente e que a Presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, o faça prestar juramento antes que Donald Trump tenha podido ser declarado perdedor. Num tal cenário, haveria dois presidentes rivais, o que marcaria o início de uma Segunda Guerra Civil.

 

Esta eventualidade encoraja alguns a considerar lançar secessões, a proclamar unilateralmente a independência do seu Estado. Isto é especialmente verdadeiro na Costa Oeste. Para prevenir este processo de desintegração, alguns defendem a divisão da Califórnia a fim de atribuir mais membros do Colégio Eleitoral à sua população. No entanto, esta solução é já uma tomada de posição no conflito nacional porque ela favorece a representação popular em detrimento do Poder dos governadores.

 

Por outro lado, eu tinha evocado, em Março último, a tentação putschista de certos militares [5] à qual, em seguida, vários oficiais superiores fizeram referência [6].

 

Estes diferentes pontos de vista atestam a profunda crise que os Estados Unidos atravessam. O «Império Americano» deveria ter-se dissolvido após a desintegração da União Soviética. Mas nada disso se passou. Ele deveria ter-se reinventado com a globalização financeira. Mas nada disso aconteceu. De cada vez, um conflito surgiu (a divisão étnica da Jugoslávia, os ataques de 11 de setembro) para fazer reviver o morto-vivo. No entanto, já não será possível protelar as coisas por muito mais tempo [7].

 

 

 

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Beatriz Belato
19/09/2020 5:04 pm

Luz p’ra nós !🍎

Leonardo Moreira
19/09/2020 6:52 pm

Luz P’ra Nós!

Xablau
19/09/2020 9:51 pm

Depois da guerra civil é lei marcial. Vai ser horrível se acontecer.
Luz pra nós

Gustavo Borba
19/09/2020 11:38 pm

A situação por lá não está sendo uma das melhores… Luz p’ra nós!

Bruna Sollara
20/09/2020 10:16 pm

Luz p’ra nós!

Luiz Cláudio
23/09/2020 6:40 pm

Luz p’ra nós!

Williams Rodriguez
26/09/2020 2:04 pm

Luz pra nós!

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